
Ativista que dedicou sua vida à ajuda aos menos favorecidos, através de ações de sensibilização e auxílio internacionais. Nascido na França em 1912, Henri Groués manifestou sua vocação religiosa bem jovem e tornou-se padre em 1928. Como vigário da Catedral de Grenoble, participou ativamente da Resistência durante a 2ª Guerra Mundial, quando adotou o codinome "Pierre". Neste período arriscou sua vida ajudando a transportar refugiados judeus para a Suiça. No final dos anos 40, fundou a Comunidade Emmaüs, dedicada a resolver problemas de moradia de desabrigados, que prossegue sua ação nos dias de hoje em vários países. Ao lado de Josué de Castro, participou da fundação da Associação Mundial de Luta Contra Fome (Ascofam), em 1957, e de diversos congressos e reuniões internacionais a favor do bem estar dos excluídos. Sua popularidade é imensa na França, onde é também conhecido como o "Papa dos pobres".
A
primeira vocação de
Henri Antoine Groués
(este é o nome de batismo do
Abbé Pierre) foi
franciscana: ingressou na ordem dos capuchinhos, mas
saiu poucos anos depois, por motivos de saúde, sendo
admitido no clero de uma diocese da França. Mas sua alma
ficou sempre fortemente marcada pelo amor à pobreza e
aos pobres. Viveu os primeiros anos de seu sacerdócio no
período da
Segunda Guerra Mundial,
dedicando-se à atividade perigosa de salvar as pessoas
da polícia secreta
nazista: falsificava
passaportes, levava
judeus e poloneses
além da
fronteira. Organizou
um grupo de resistência armada até ser preso, mas
conseguiu fugir escondido num saco do correio, num avião
para a
Argélia.
Depois da guerra, voltou a Paris e foi eleito deputado da Assembléia Nacional, que deixou por protesto contra uma lei eleitoral que ele julgava injusta. Era o ano de 1951. A partir daquele tempo, dedicou-se inteiramente ao Movimento Emaús, que havia iniciado dois anos antes. Sua atividade se dividiu entre a multiplicação das Comunidades Emaús e contínuas viagens para palestras e encontros, lançando campanhas em favor dos pobres, encontrando chefes de estado e expoentes das diversas Igrejas e religiões.
Algumas das suas frases se tornaram famosas:
"Pobres que se tornam doadores e provocadores daqueles que têm e não fazem nada".
"Servir e fazer servir primeiramente os mais sofredores é a fonte da verdadeira paz".
"A miséria julga o mundo e prejudica toda possibilidade de paz".
"Viver é tornar acreditável o amor; é vingar o homem, amando".

Tem várias publicações pessoais, e em conjunto com o político, e ex-ministro da saúde francês, Bernard Kouchner escreveu o livro "Deus e os homens", “(“Dieu et les hommes”).
Atualmente, o Abbé Pierre vivia numa comunidade junto com pessoas idosas e doentes do Movimento, esperando "as grandes férias", como ele define a viagem definitiva. Porém, não ficava trancado. Quando alguma necessidade o chamava, saia para defender os direitos dos migrantes, dos sem teto, ocupando praças e casas não alugadas, obrigando as autoridades a encontrarem uma solução definitiva.
Pe. Abbé Pierre faleceu na madrugada do dia 22jan2007, aos 94 anos de idade no Hospital Val de Grâce, em Paris.
Voluntário Web: José Rogério Brito Ribeiro